Exemplo ilustrativo

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Cida é uma personagem fictícia criada para mostrar o estilo do livro. Na sua versão, a história e as fotos serão suas.

Capa do livro de exemplo, A História de Cida

120

Páginas

45.000+

Palavras

Até 5

Fotos

5

Capítulos

Capítulo de amostra

A casa onde todo mundo cabia

Capítulo 1 de 6

* * *

Todo mundo na vila sabia onde era a casa da Dona Cida. Não precisava de número: era a que tinha cheiro de café passando na hora certa e sempre uma cadeira a mais na mesa. Se chovia, era a casa dela. Se alguém chorava, era a casa dela. Se sobrava alegria e faltava lugar pra guardar, também era a casa dela. O filho mais velho dizia que a mãe tinha trinta anos quando entrou na cozinha e saiu sessenta. Ele dizia brincando, mas era quase verdade. Cida passou a vida ali, entre o fogão e a janela que dava pra rua, torcendo pros meninos chegarem inteiros do futebol de várzea e pro gato do vizinho não subir de novo na goiabeira. Foi ela que ensinou o bolo de fubá pra meia rua e foi ela que escondeu meia rua dentro de casa quando o aluguel atrasou. A força dela ninguém via porque ela não fazia alarde. Descobriu-se forte num domingo, quando o botijão de gás acabou no meio da feijoada com dez pessoas sentadas. Chorou? Ninguém viu. Pingou café, ligou o antigo fogão a lenha dos fundos e o almoço saiu no horário, com direito a farofa e laranja de sobremesa. Depois ainda riu: "Cozinha que não improvisa não é cozinha, é receita." Cida tinha esse jeito de transformar aperto em brincadeira e brincadeira em sabedoria. Quando o caçula quis desistir da escola, ela não gritou. Fez bife à milanesa, chamou ele pra mesa e contou, entre talher e talher, a história do pai dela, que atravessou o interior a pé atrás de emprego e nunca deixou ninguém com fome de comida nem de coragem. O menino voltou pra sala de aula na segunda-feira e hoje dá aula. Nas festas de família, ela era a primeira a chegar e a última a sentar. Passava o pano na boca dos netos com o mesmo pano de prato, dava bronca no genro com o olhar e guardava, num pote de maionese na geladeira, o dinheiro das emergências de todo mundo. Todo mundo sabia que o pote existia. Ninguém nunca viu ele vazio. E ela escutava. É preciso repetir: ela escutava. Não escutava por educação, esperando a vez de falar, não. Cida escutava com os cotovelos na mesa e os olhos parados nos seus, como se o mundo inteiro pudesse esperar até você terminar. Filho arrependido, vizinha de briga, sobrinho apaixonado pela menina errada: pra todo mundo tinha um "vamos ver" que não era desânimo, era plano. Uma vez perguntaram pra ela, na festa dos sessenta anos do marido, como é que ela dava conta de tudo. Cida ajeitou o cabelo, riu da própria risada e respondeu: — Eu não dou conta, meu filho. Eu vou dando. E aí todo mundo entendeu por que a casa dela era o centro do mundo: porque centro não é quem segura tudo. Centro é o ponto pra onde todo mundo volta. Mas essa era só a primeira página. Porque a história de Cida, a de verdade, a que merece livro impresso e capa dourada, ainda ia começar.

Este é apenas o Capítulo 1 de 6. O livro completo tem, no mínimo, 120 páginas.

Cada capítulo mantém essa qualidade, com a sua história, as suas memórias e as suas fotos.

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